Cartaz pretendido para a O NOIVO DO DR. FRANKENSTEIN, de Victor Sant"Anna
INÉDITA. Arte da Daya Gibeli.
Coelho De Moraes
Passado o carnaval e toda a ufania obrigatória
resta alguma coisa para reflexão.
As Escolas de Samba não têm o nome
de Escola à toa. Devem ensinar e produzir sambas. Não é o que acontece em
Mococa. O nome de Escola é superficial e apenas revela reflexo do que se vê na
TV. Temos sim, modernizados e ampliados,
cordões e blocos. Bloco carnavalesco como um conjunto de pessoas que desfilam no Carnaval
de forma semi-organizada, muitas vezes trajando mesma fantasia, ou
vestidas do modo que mais lhes agradar. Conseguimos observar essa característica
em muitas alas do último desfile. Qualquer roupa, qualquer nota. Dos Cordões: o fato de ser formado por grupos
de foliões mascarados com feições de velhos, palhaços, diabos, reis, rainhas,
índios, baianas, entre outros, conduzidos por um mestre, obedecendo o apito de
comando. Seu conjunto instrumental costumava ser exclusivamete de percussão. E
seguem outros detalhes e semelhanças.
O
Carnaval de Mococa funde as três vertentes. Para ser Escola de Samba há que
evoluir, não só na avenida mas também na conduta e no aprendizado do samba,
principalmente.
As
Escolas tradicionais do país começam imediatamente – março – e se preparam para
2012. É isso o que acontece por aqui? Não. Quem é que ensina o samba? Ninguém. Uma
possibilidade seria criar, de raíz forte, uma fonte para futuras tradições
implantadas nas Escolas e Colégios da cidade. A estória a ser contada, a música
a ser criada, as fantasias e ensaios surgiriam desde o ensino fundamental, ao
longo de todo ano, para desaguar na avenida em 2012, mcomo uma codificação do
aprendizado, sinopse, resumo do samba. É tomo de pesquisa da contribuição
africana ao Brasil. Surgiriam aí tantas “escolinhas de samba” quanto escolas
tivermos na cidade. Ou seja, um processo de plantar um Carnaval sustentável.
No
início podemos importar o saber das Escolas de São Paulo. Algumas têm projeto para
isso. Basta reclamar um tirando a bunda diretorial da cadeira.
Do
jeito que é e está o Carnaval de Mococa sempre ficará à mercê dos foliões que moram fora e vêm desaguar sua equivocada
sabedoria sambista aos conterrâneos caipiras; quando puderem, aparecerão na data
marcada para desfilar o mesmo de sempre,
com os mesmos tropeços e percalços. E, por falar em tropeço, no geral,
há um cantor principal - o tal puxador,
termo que Jamelão nunca gostou de usar,
pois para ele quem puxa puxa carro – então há o interprete principal, e,
outros de apoio, em função do possível cansaço do primeiro e uma ou outra pequena harmonia. O que ouvi foi
que em vez de dar apoio ao cantor, os tais “apoiadores” costumam atrapalhar o
canto principal pois desejam seu lugar. Coisa da mesquinharia rural, sem
motivo, pois todos pisamos em bosta de vaca. É necessário afinação e noção
espacial.
Sonhar
com a coisa é uma coisa. Saber fazer é outra. Querer fazer e atrapalhar é
crime.
Harmonia, no samba-enrêdo, deve ajudar e não
atrapalhar. Há que se atentar para isso. E, quem sabe, estudar isso.
É
necessário, também, sambar, não marchar.
Os desfiles parecem aos de 7 de setembro com a diferença de que os braços ficam
abertos como se pedissem alguma coisa ou oferecessem a alegria plástica e
sorridente com data marcada - é um vício
de interpretação de quem canta ou está no “samba usando pará-quedas de griffe”.
Pouca gente mostra que tem samba para demonstrar.
É
isso. Nem é preciso dizer que são avaliações críticas positivas, portanto, não
digam.

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