Dia Um, como se nascesse
Perdidos entre beijos e abraços
nostálgicos eu e RoseBraga resolvemos comer a pizza do sábado. Assim se começa
um conto comum e vulgar. Terá começo meio e fim?
Com quantos dígitos veremos no ar as
aves de arribação? Como se conheceram a América e o jovem melindroso perseguido
pelo destino? O episódio foi de uma banalidade comovedora, e envolveu uma
pulseira perdida e um mal-entendido. Menos irrelevante será talvez relatar como
sucedeu a revelação de que eles partilhavam algo mais do que a vontade
indomável de transformar a Mogiana (de Pinhal a Mococa) num imenso palco para
os trânsitos e brados de Pentesiléia e de Aquiles e de toda fauna de Vereadores
que já ocuparam, e ocupam, as cadeiras
da Câmara, sonhando um dia serem Deputados Estaduais... tais cadeiras aceitam
quaisquer tipos de bundas... bundas dorminhocas, bundas vagais,
vagabundas, bundas perdulárias, bundas
de futuros prefeitos e não há nada que tenham construído a não ser a capacidade
de observar o tempo passar – verdadeiros Fiscais da Natureza - pois tudo o que pretendem haver construído
existiria assim mesmo, sem interferência dos tais (geniais) parlamentares. Mas
a história é feita desses equívocos, e dessas bundas vazias, ou dessas estórias.
Valha-me Alexandre, o Herculano, que propunha uma bunda como
predicado, como cousa vulgar e nada
mais.
Foi quando o povo da cidade de Muganga, tendo eleito por duas
vezes ou três vezes padres e analfabetos, fissos isso e aquilos, pró-rogos e
vicariato sem vergonha para um projeto Cura cuja eternidade se desdobra além de
nossa lucidez e cuja dívida avança pelo século 21, em piscinas inúteis e
adulteradas, em clubinhos populares para agrado da multidão faminta e alienada... tardia também, tal turba, revelou que não saberia o que escolher, caso
houvesse escolha: a felicidade ignorante e feia ou a lucidez feliz e
desavergonhada, profunda e permanente
sobre as razões e timbres da infelicidade.
COELHO, não o do Updike, sentia o mesmo, e estas coisas criam um vínculo
menos quebradiço do que um passado de banco de escola ou de caserna partilhada.
Mas as cousas não se ficam por aqui, há também a paixão comum pela gastronomia
do sul de minas, o "segredo mais bem guardado da cozinha mineira”, talvez.
Perdições entre pamonhas e curaus... literatura e um saudade de Arceburgo,
talvez...
Dia dois, e Kafka na panela
Terça-feira e é dia marcado para o cinema. Eu e RoseBraga, vinte
horas pouco mais sairemos do Jardim São Luiz, rumo ao quinquagenário Cine
Mococa. A marcar em todas as agendas e datas de passagem:
Ver e rever “O Cozinheiro, o Ladrão, a mulher e o amante”, mas não se deve
passar sem o “Bebê Santo de Macon”, ou ainda “A Tempestade”, já que falamos
sempre de um Pedro CaminhoVerde, autor de obras primas. Todas suas obras serão
primas? Nada disso porém passa pela cabeça de muitos mocoquenses que estão
aquém dos símbolos e das abstrações. A eles se permite dormir em música que
dizem ser sertanejas (guarânias, na verdade) ... mas, limitam-se a nos deixar
Zen – Zen paciência. A saga das testas cobertas de galhos, as dores de
cotovelo, a choradeira de trouxas alcoólicos esparramados nos bares do
Descanso, por exemplo, enquanto as vacas
mugem ao longe e de longe se vê um por-de-sol flagrado entre cambiante de
violenta e um sulferino dormido de épocas. Isso antes. Agora, hora noturna e
pouco fria, nos sentiremos aquecidos no cinema.
Enquanto não chega o momento de despejar do trono ou seja lá quem nada
fizer de programado ou planejado, a corja de lambões e lambe-sacos; enquanto a
saga do senhor sem anéis não se der à mostra, contentemo-nos com as glórias
passadas, idas e desguarnecidas de qualquer atavio.
Dia três, enquanto as chuvas disparam
Excelente.
Por favor, tentem compreender. Ou não!
Não julgamos, sim julguemos como cousa de puro oiro, mas, não condenamos, sim,
sim, condenemos, enfim para outras terras e exclusões maravilhosas, porém, não pratiquemos o ostracismo, entre estranhos
em terras estranhas, contudo enviemos para o exílio as piores de nossas
malfadadas idéias. Em
Muganga, Macondo e outras terras, idéias não servem para nada. Não é uma questão de fundamentalismo, nem
islamismo, nem alcoranismo, nem xiitismo, podendo ser shiitismo dos ingleses em
que tudo se transforma em porcaria ou (s)crap, como por exemplo a cultura de
uma cidade como a nossa – como orgulhosa cidade do interior mogiano – mugiante
- , tudo se transforma em nihilismos; não é uma questão de atropelo a qualquer
direito natural. Apenas pedimos respeito e consideração. Reclamamos somente o
direito ao nosso quinhão quotidiano de ar relativamente puro. É só isto. Há
espaço para todo mundo, porém, você pode, até, ficar bem de verde, quando
engolir sua fumaça e se transformar em um saco podre de câncer. Você merece.
Dia quatro, um momento no viés
REPÚBLICA 70 RIACHUELO: Por lá passaram
SemiDeus, Bado, Preto, Mandrake, Pancada, o caro CDF, o Zize, o Vasconcelos de
São José do Rio Pardo – cidade onde muita gente grada ia mijar nos bailes, e na
devolução, o mijo de SanZé vinha em retorno na AEM - além da quebradeira de copos, corpos e vidros
e janelas... bailes e brigas... esses, entre outros. Indicaram-me recentemente
dois fatos com relevância republicana assinalável.
Eu e RoseBraga, na manhã, ouvíamos tais histórias, comendo muito
requeijão e pão preto.
No sítio de não sei que pessoa duas amigas, íntimas amigas,
amantes amigas da mais pura sociedade mocoquense se mataram pois seu amor não
era permitido pela sociedade da época... Seria agora?... isso, entre outras
cousas... entre outras coisas, leio textos cujo teor denota uma das mais
louváveis atividades que conheço: hoje vejo que os partidos políticos se
misturam como iguais e, aqueles que são tidos como radicais - cá de fora - se
mostram anacrônicos, bem démodè, bem nulos, na verdade, esperando aposentadoria...
Culpa minha? por que fomos tão cegos? Já
não se misturavam antes? Não vimos? Éramos coniventes?... concordata!
Para além destes temas de óbvia e lamentável atualidade, muitos
outros são abordados, investido de uma grande e magnífica opulência. Falece o
comediante mas a piada continua com a laicidade e os valores republicanos (ou
as suas violações) como denominador comum.
Há certo desconforto, muita vez, se exprimir o vocábulo
"partidários" e derivados. Assistimos a lógica da negação partidária,
re-fundação de outra vertente, mudando o nome da estrela, ou no mais, nomeado a
estrela para outros sóis; a contestação
que está implícita parece-me, em certas ocasiões, poder tornar-se
contraproducente; no entanto há um barco para se navegar. Talvez com mais
espaço, para desatinos e desvarios e devaneios... Prestemos atenção às aves de
alta plumagem.
Dia 5, enquanto a água não me chega aos pés no Descanso
Excelente domingo para nós.
TV a satélite e tudo mais. Muito filme
bobo, mas algumas relíquias.
ANÚNCIOS de outros tempos: Este é velho como muita
gente da cidade... Parada no tempo antigo como muita gente da cidade... Tem
muitos que ainda choram por uma fonte dos Amores que nunca conheceram
corretamente... Teriam saudades dos pernilongos? Ou do mal cheiro? Ou ainda dos
lacerdinhas que infestavam nossos cabelos? Vá saber!!... antiguinhos,
antiquados, antiqualha. Dado Histórico: A antiga Fonte dos Amores vinha da
décda de 30. Em meados dos anos 60 já era sujeira. Foi remodelada em 70 e
durou, normal em funcionamento, até 2008, quando foi remodelada, tentando
voltar ao que era. Se contarmos bem a Segunda fonte durou de, 70 a 2008, mais que a primeira, portanto, esta deve
receber o galardão de tradicional. Homessa!
Mas, o filme continua: Inseticida Banzé, cuidado para não matar o cão também:
E a velha tinha moscas... e as moscas orbitavam... sobre a velha volitavam... lá na casa suja e limpa... Morriam as moscas, matavam a velha... A velha dizia... bradava... ninguém ouvia... banzé, banzai! Flavinho corria no quintal, acorria atrás dos balões e gritava banzai! banzé... Contras as moscas bato o pé! Festa Junina! Balõezinhos a subir. Os chinesinhos.
Mas, o filme continua: Inseticida Banzé, cuidado para não matar o cão também:
E a velha tinha moscas... e as moscas orbitavam... sobre a velha volitavam... lá na casa suja e limpa... Morriam as moscas, matavam a velha... A velha dizia... bradava... ninguém ouvia... banzé, banzai! Flavinho corria no quintal, acorria atrás dos balões e gritava banzai! banzé... Contras as moscas bato o pé! Festa Junina! Balõezinhos a subir. Os chinesinhos.
Sabem, aquela velha que dá um pontapé no balde?
Esquece, tal velha não existe... velhos se acomodam...
comodistas... raros os ativos. Em geral se entregam ao ficcional céu empírico.
Com direito a nuvem e lua.
É noite.
Assim acaba nossa história de amor.

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