KEICE MORAES, atriz do TPM Rogério Cardoso, em still das filmagens de PROCURANDO LUCAS.
Coelho De Moraes
Às tantas carreiras que já foram e às
outras tantas carreiras que inda serão suprimidas da convivência do mundo moderno.
Alfaiataria. Lá pelo idos de 75/76
vimos finalizar a carreira com o aparecimento de modernos computadores ou
programas que desenhariam o modelo criando o design e mandando a peça para
cortar. Nessa época o meu pai José Coelho de Moraes se aposentava. Batia o sino
do jogo que plantava a competição pela sobrevivência nas searas modernas de
fulcro industrial. A alfaiataria mudou e hoje poucos são os alfaiates que
trabalham na cidade. Fazem consertos. A roupa vem pronta. Antes cada cliente
mantinha seu modelo pessoal e seu alfaiate pessoal – personal-taylor; falamos da contínua construção/desconstrução da
civilização e o mutatis mutandis
obrigatório (vide a China que constrói/destrói um bairro por semana para que as
gentes escravas chinesas tenham um mínimo de trabalho. Sem falar que até pode
ser o mesmo bairro. Há quem diga que são bairros onde não se pode morar. Não dá
tempo de mudar. Só indo lá.
O final de segmentos trabalhistas
quando se transformam em massa de manobra evidente – vide partidos de esquerdas
que dependem de que os trabalhadores sejam pobres ou não sobrevivem; certamente
não é apenas o único modo de desunião dos trabalhadores. Falamos sobre “dieta
de emagrecimento”, de corte de calorias, de fatiamento dos segmentos gordurosos
e por ai vai. Bota para fora o que está a mais, como certos presidentes de
sindicatos que dão festinha e no meio da bebedeira geral e passam papel em
branco para a turba ignara assinar. De quem foi a sublime idéia? do Xico
Metaleiro?
A competição pela sobrevivência domina
de alto a baixo a empresa obcecada com a "dieta de emagrecimento" e
podemos, por isso, prever que os carteiros serão os próximos... apesar de ser
uma atividade laborativa ligada ao pedestrianismo e aos exercício aeróbicos, ou
seja , dentro do mais refinado padrão ecológico..., no entanto já se pensa na
substituição desse método medieval de entrega de missivas e epístolas. Os gerentes devem reduzir o tamanho de setores
que empregam trabalhadores para continuarem vivos, os setores e os gerentes,
mas não os trabalhadores; de um lado concordamos com isso, pois aceitamos a
evolução da informática, da computação, da re/engenharia (que já é uma palavra
velha) e coisa tem que ser aplicada.
Não vai me dizer que o leitor
acredita que será aplicada para o bem do ser humano?
No entanto os re/engenherados sempre
serão os da última camada de trabalho. É raro um gerente de banco reestruturar
o setor e mandar a si mesmo embora. A coisa sobra para o proletariado. A alta
gerência deve reduzir o tamanho de seus escritórios para merecer o
reconhecimento das bolsas e dos seus presidentes e no pega/pra/capar da sobrevivência
inventa-se a propaganda do “vamos vestir a camisa da empresa”, assim os
escravos/família trabalharão até o fim... deles, vestidos com a camisa; uma pessoa que é admitida em um emprego,
primeiro, vai por que quer ou precisa; segundo,
tem que saber que o gerente vai fazer o que mandarem para cumprir as
tais metas... e sobra para você, amiguinho candidato. O candidato é sempre um
cândido.
O
mesmo gerente que lhe dá o livro de auto-ajuda sorrirá para você como se fosse
amigo íntimo, preocupado com seu bem-estar, mas, não se iluda, pois não é. O que ele pretende é ganhar os
votos dos acionistas e garantir o direito aos cumprimentos quando completar a
rodada de cortes. Mas, antes disso haverá muito churrasco entre funcionários e
gerência (eles chamam isso de estreitar os laços familiares e formar o “sprit
de corp” – tais lições se aprende em RH. Tem empregado mal intencionado que se
especializa em RH; fazem cursos para isso; alguns cursos são aplicado em
Sobibor); haverá muita camisa a ser vestida com sangue/suor/lágrimas (enquanto
a gerência urde na calada da noite quem ou quais serão defenestrados).
Antes de 2012 o fim do mundo terá
chegado a fatias imensas da população. Depois de iniciada, a tendência "ao
emagrecimento" ganha força própria. É uma bola de gordura. Descobrirão o
quanto é desnecessário contratar trabalhadores (haverá robôs e máquinas); os
sindicatos fecharão – outros já estão fechados por simples inutilidade mesmo. A
tendência ao desengorduramento – lipoaspiração - se torna auto/propelida e auto/acelerada, e Calvino
será entronizado, finalmente, como cara de pau máximo: foi ele quem torceu as
palavras bíblicas e provou que lucro é divino. Reis, príncipes e arautos da
reforma embarcaram nessa e vêm se aproveitando até hoje com suas igrejas sem
protesto e suas associações baseadas no pecado original, ou seja, maior
eficiência, na colheita da maçã, tornando-se cada vez mais irrelevante o fato
de comer ou não da árvore da sabedoria.
O medo de perder o jogo da
competição, de ser ultrapassado, deixado para trás ou excluído dos negócios é
suficiente para manter o jogo da fusão/redução de tamanho. E a populaça
incrédula fica à espera do corte próximo, da extinção de carreiras, acreditando
que o chefe é seu amigo.
Ledo e Ivo engano, como disse o
poeta em busca da imperfeição.

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