segunda-feira, 19 de setembro de 2011

FIM DO TRABALHADOR


KEICE MORAES,  atriz do TPM Rogério Cardoso, em still das filmagens de PROCURANDO LUCAS.
Coelho De Moraes
            Às tantas carreiras que já foram e às outras tantas carreiras que inda serão suprimidas da convivência do mundo moderno.
            Alfaiataria. Lá pelo idos de 75/76 vimos finalizar a carreira com o aparecimento de modernos computadores ou programas que desenhariam o modelo criando o design e mandando a peça para cortar. Nessa época o meu pai José Coelho de Moraes se aposentava. Batia o sino do jogo que plantava a competição pela sobrevivência nas searas modernas de fulcro industrial. A alfaiataria mudou e hoje poucos são os alfaiates que trabalham na cidade. Fazem consertos. A roupa vem pronta. Antes cada cliente mantinha seu modelo pessoal e seu alfaiate pessoal – personal-taylor;  falamos da contínua construção/desconstrução da  civilização e o mutatis mutandis obrigatório (vide a China que constrói/destrói um bairro por semana para que as gentes escravas chinesas tenham um mínimo de trabalho. Sem falar que até pode ser o mesmo bairro. Há quem diga que são bairros onde não se pode morar. Não dá tempo de mudar. Só indo lá.
            O final de segmentos trabalhistas quando se transformam em massa de manobra evidente – vide partidos de esquerdas que dependem de que os trabalhadores sejam pobres ou não sobrevivem; certamente não é apenas o único modo de desunião dos trabalhadores. Falamos sobre “dieta de emagrecimento”, de corte de calorias, de fatiamento dos segmentos gordurosos e por ai vai. Bota para fora o que está a mais, como certos presidentes de sindicatos que dão festinha e no meio da bebedeira geral e passam papel em branco para a turba ignara assinar. De quem foi a sublime idéia? do Xico Metaleiro?
            A competição pela sobrevivência domina de alto a baixo a empresa obcecada com a "dieta de emagrecimento" e podemos, por isso, prever que os carteiros serão os próximos... apesar de ser uma atividade laborativa ligada ao pedestrianismo e aos exercício aeróbicos, ou seja , dentro do mais refinado padrão ecológico..., no entanto já se pensa na substituição desse método medieval de entrega de missivas e epístolas.  Os gerentes devem reduzir o tamanho de setores que empregam trabalhadores para continuarem vivos, os setores e os gerentes, mas não os trabalhadores; de um lado concordamos com isso, pois aceitamos a evolução da informática, da computação, da re/engenharia (que já é uma palavra velha) e coisa tem que ser aplicada.
            Não vai me dizer que o leitor acredita que será aplicada para o bem do ser humano?
            No entanto os re/engenherados sempre serão os da última camada de trabalho. É raro um gerente de banco reestruturar o setor e mandar a si mesmo embora. A coisa sobra para o proletariado. A alta gerência deve reduzir o tamanho de seus escritórios para merecer o reconhecimento das bolsas e dos seus presidentes e no pega/pra/capar da sobrevivência inventa-se a propaganda do “vamos vestir a camisa da empresa”, assim os escravos/família trabalharão até o fim... deles, vestidos com a camisa;  uma pessoa que é admitida em um emprego, primeiro, vai por que quer ou precisa; segundo,  tem que saber que o gerente vai fazer o que mandarem para cumprir as tais metas... e sobra para você, amiguinho candidato. O candidato é sempre um cândido.
            O mesmo gerente que lhe dá o livro de auto-ajuda sorrirá para você como se fosse amigo íntimo, preocupado com seu bem-estar, mas, não se iluda,  pois não é. O que ele pretende é ganhar os votos dos acionistas e garantir o direito aos cumprimentos quando completar a rodada de cortes. Mas, antes disso haverá muito churrasco entre funcionários e gerência (eles chamam isso de estreitar os laços familiares e formar o “sprit de corp” – tais lições se aprende em RH. Tem empregado mal intencionado que se especializa em RH; fazem cursos para isso; alguns cursos são aplicado em Sobibor); haverá muita camisa a ser vestida com sangue/suor/lágrimas (enquanto a gerência urde na calada da noite quem ou quais serão defenestrados).
            Antes de 2012 o fim do mundo terá chegado a fatias imensas da população. Depois de iniciada, a tendência "ao emagrecimento" ganha força própria. É uma bola de gordura. Descobrirão o quanto é desnecessário contratar trabalhadores (haverá robôs e máquinas); os sindicatos fecharão – outros já estão fechados por simples inutilidade mesmo. A tendência ao desengorduramento – lipoaspiração -  se torna auto/propelida e auto/acelerada, e Calvino será entronizado, finalmente, como cara de pau máximo: foi ele quem torceu as palavras bíblicas e provou que lucro é divino. Reis, príncipes e arautos da reforma embarcaram nessa e vêm se aproveitando até hoje com suas igrejas sem protesto e suas associações baseadas no pecado original, ou seja, maior eficiência, na colheita da maçã, tornando-se cada vez mais irrelevante o fato de comer ou não da árvore da sabedoria.
            O medo de perder o jogo da competição, de ser ultrapassado, deixado para trás ou excluído dos negócios é suficiente para manter o jogo da fusão/redução de tamanho. E a populaça incrédula fica à espera do corte próximo, da extinção de carreiras, acreditando que o chefe é seu amigo.
            Ledo e Ivo engano, como disse o poeta em busca da imperfeição.

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